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Pulp Francês: Stefan Wull

O jornalista Marcelo Simão Branco, co-editor do "Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica", faz um apanhado da carreira do escritor pulp francês de ficção científica, "Stefan Wul".

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Edição portuguesa (Argonauta)

Stefan Wul, um Pulp Europeu
por Marcello Simão Branco

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Na terra consagrada a autores clássicos como Rousseau, Dumas, Proust e Sartre, entre outros igualmente ilustres, houve espaço também para a ficção científica. Sim, o nome facilmente lembrado é o de Julio Verne, um mestre da antecipação. Mas quero me referir a um autor pouco celebrado, talvez mesmo entre os franceses. Estou falando de um sujeito que nasceu com o nome de Pierre Pairault, mas que se popularizou entre os fãs europeus de ficção científica como Stefan Wul.

A minha primeira experiência literária com Wul foi uma das mais curiosas e marcantes. Para começar, nunca tinha ouvido falar ou lido qualquer coisa a respeito dele. Era janeiro de 1989, estava em férias em Joinville com minha família. De forma surpreendente descobri um sebo na cidade e lá tinha dezenas de livros da Coleção Argonauta, de Portugal. Comprei alguns e na viagem de volta a São Paulo, de forma aleatória, escolhi um livrinho despretencioso com o nome de "O Templo do Passado".

Era um livro de Wul e o li de uma só sentada, durante as sete horas de viagem. Um enredo que abordava o destino de dois viajantes espaciais, que em visita a um planeta eram engolidos por um gigantesco monstro marinho, que era cultuado como um Deus por uma raça de lagartos inteligentes. Narrado em um rítmo ágil, com muita ação e suspense, além de imagens vívidas e coloridas, traz uma revelação em seu final, daquelas de "cair o queixo", como se costuma dizer.

Stefan Wul morreu em 26 de novembro de 2003, aos 81 anos. Sua carreira literária foi curta e intensa: publicou 10 de seus 11 livros entre 1956 e 1959. Cirurgião dentista por profissão, Wul tinha uma imaginação poderosa, era um competente contador de histórias, no qual a aventura, as situações pulp e sense of wonders eram a tônica, rivalizando com o que de melhor fizeram os americanos nos anos 30 e 40 neste tipo de história.

A exemplo do norte-americano Robert Silverberg, Wul também é um escritor que teve uma produção impressionantemente concentrada em alguns anos e depois parou de produzir por vários anos. Em dois momentos posteriores o autor retornou ao campo. Primeiro em 1977, ao publicar o romance Noo. E, justificando sua insersão bissexta, reaparece no cenário vinte anos depois, em 1997, com a republicação inteira de sua obra, provavelmente para recuperá-lo entre leitores de uma nova geração e como uma espécie de reconhecimento de sua obra, no contexto da ficção de gênero francesa (e mesmo européia) contemporânea. Para se ter uma idéia de como Wul está circunscrito no continente europeu, apenas um livro seu foi publicado em inglês, justamente o que eu li, Le "Temple du Pase" (como "The Temple of the Past", em 1973).

Duas de suas obras foram adaptadas para desenho animado na França. "Oms en Serie" ("O Mundo dos Draags", em português da Argonauta), como "Fantastic Planet", de 1973, e "L'Orphellin de Perdide" ("O Vagabundo das Estrelas" em português), como "Les Maitres du Temps", em 1982, com desenhos de Moebius.

Nós que lemos língua portuguesa, contudo e de forma surpreendente, somos privilegiados, pois oito dos seus 11 livros foram publicados em nossa língua, por meio da Coleção Argonauta -- ou seja, uma coleção portuguesa, dentro da Europa. São eles: "Regresso a Zero" (n.54), "Pré-História do Futuro" (56), "O Vagabundo das Estrelas" (60), "O Mundo dos Draags" (64), "Missão em Sidar" (72), "Degelo em 2157" (76), "O Templo do Passado" (85), "Armadilha em Zarkass" (90) e "O Império do Mutantes" (107) -- também publicado como "A Cadeia das Sete", pela editora brasileira Futurâmica n.4 --, que serviu de inspiração para o nome do grupo de rock brasileiro Os Mutantes, com Rita Lee, ao final dos anos 60.

O crítico francês Lorris Murail (1993), tentou explicar as razões que fizeram-no interromper sua carreira quando já se tornara um escritor de entretenimento conhecido em sua pátria. Stefan Wul era um autor que escrevia motivado por uma espécie de "impulso irressistível" e não no sentido de construir intencionalmente uma carreira ou pertencer a um gênero ou a uma corrente determinada. Assim, quando as idéias cessaram após a dezena de pequenos romances que escreveu em fins dos anos 50, ele se voltou para uma profissão "séria" e "segura".

Wul foi o típico autor popular esnobado por uma certa inteligentsia literária, que por ter qualidade, surpreende aos que o lêem e acaba sendo adotado por esta mesma elite como um autor cultuado. Mas antes disso -- e fundamentalmente -- , ele é um autor pulp, com as virtudes e limites inerentes a esta autêntica forma de expressão literária: uma literatura de entretenimento, recheada de boas idéias.

Desta forma, se em suas rondas por sebos, você por acaso encontrar livrinhos com capas coloridas, títulos chamativos e de autoria de um certo Stefan Wul, deixe suas prevenções de lado e experimente. Primeiro porque, afinal de contas, o livro deverá ser baratinho. E depois, e mais importante, aposto que você irá gostar, ou no mínimo se surpreender com um tipo de narrativa muito imaginativa, mesmo dentro dos padrões da ficção científica.

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