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H. G. Wells: A Guerra dos Mundos

Um artigo de Roberto de Sousa Causo originalmente publicado no "Jornal do Brasil"

War of the Worlds em Amazing Stories
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arte de Frank R. Paul

Os textos de H.G. Wells (1866-1946) apareceram no final do século 19, e cativaram grande número de leitores de periódicos de grande circulação. Republicados em revistas como "Amazing Stories", balizaram o que os autores de FC fariam ao longo de boa parte do século 20.

"A Guerra dos Mundos" apareceu em 1898 e causou impacto na mente do artista brasileiro Henrique Alvim Corrêa (1876-1910). Vivendo na Bélgica, ele produziu dezenas de pranchas aprovadas por Wells, para ilustrar uma edição especial de 1906. Foi talvez o melhor intérprete da obra. Wells dizia ser ele o seu favorito. Começa aí o trânsito multimídia de "A Guerra dos Mundos"?

Quando da versão radiofônica Orson Welles (1938), as histórias de guerra não eram mais populares na Europa pós-I Guerra Mundial. Mas eram nos EUA. Logo em 1898 apareciam "Fighters From Mars: The War of the Worlds in and Near Boston" e "Edison's Conquest of Mars" (isso mesmo, Thomas Alva Edison comanda a revanche contra os marcianos, em seu próprio território). A versão de Welles é só uma instância das atualizações do original.

Não surpreende que Spielberg recorra ao clássico de Wells para encerrar sua trilogia sobre E.T.s iniciada com "Contatos Imediatos" (1977) e "E.T.: O Extraterrestre" (1982). A escolha atesta mudanças na mente do público -- da ânsia por contato e o estranho ameaçado pela frieza tecnocrática, para a agressão sem chances de diálogo.

Alusões a 11-9-2005 aparecem na neve cinza que resta da morte das pessoas, e nas máquinas de guerra, subterrâneas como as "células terroristas" que se supõe ainda existir nos EUA.

O herói intelectual da novela é substituído pelo americano comum na pele de Tom Cruise. O cientista do filme de 1953 torna-se apenas um interessado em mecânica de automóvel. O novo filme segue bem os passos do enredo original, como o diálogo num porão com o personagem Artilheiro. Interpretado por Tim Robbins, é no filme um simplório que sonha em dar o troco aos E.T.s: Caricatura do belicismo caipira de George W. Bush? No livro, é figura carimbada do imperialista britânico, de quem o herói foge para juntar-se ao destino comum da humanidade.

O livro de Wells exige duas interpretações: Crítica ao colonialismo que "tirava o sangue" dos povos colonizados; ataque às ilusões de segurança da humanidade. O filme se atém à segunda, representada pela chorona filha do protagonista (Dakota Fanning). Enfim, o herói deixa a loucura armada e se une ao destino comum da humanidade. Se nosso desejo de segurança é infantil, o dever de provê-la caracteriza a civilização.

[Originalmente publicado no "Caderno B" do Jornal do Brasil de 14 de julho de 2005, p. B3.]



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