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Perry Rhodan: pulp alemão

O N.º 1 da edição americana
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arte de Gray Morrow

Um artigo de Roberto de Sousa Causo sobre Perry Rhodan no Brasil

Exemplar original alemão
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arte de Al Kelsner

Perry Rhodan é a série de ficção científica mais vendida e mais numerosa do mundo. Criada em 1961 por K. H. Scheer e Clarke Darlton (Walter Earnstin), dois autores alemães de FC, já ultrapassou os 2.200 episódios em seu país de origem. Chegou ao Brasil primeiro em 1966, como o volume 14 da coleção Galáxia 2000, Operação Astral, traduzido de uma edição francesa que agrupava sob um único título os dois primeiros episódios: Missão Stardust e A Terceira Potência, e creditada apenas a Scheer (Darlton escreveu o volume 2).
A série propriamente dita só seria lançada em 1975 pela Ediouro, uma marca da Tecnoprint, do Rio de Janeiro. Apareceu primeiro como uma espécie de teste de mercado, em que o logotipo da série era semelhante ao da edição alemã -- "Perry Rhodan" nas letras desalinhadas, sobre um fundo branco. Em seguida, os livros assumiram um formato que lembrava muito a edição norte-americana da Ace, editada a partir de 1968 pelo "Mr. Science Fiction", Forrest J. Ackerman, uma das mais importantes personalidades do mundo da FC. Tinha o logo característico, com "Perry Rhodan" escrito num formato semicircular, debruçado sobre as ilustrações em geral assinadas por Grey Morrow (falecido em 2001, aos 68 anos). Muitas das capas de Morrow apareceram na edição da Ediouro. É curioso que Ackerman fosse um grande fã da série, enquanto Morrow não a apreciava.
A Tecnoprint publicou cerca de 150 livros da série, antes de interrompê-la. Em meados da década de 1980 a mesma editora relançou Perry Rhodan a partir do número 200, A Rota para Andrômeda, com novo formato e recuperando um rótulo empregado pela editora na década de 1960, "Futurâmica Espacial". Os títulos faltantes também foram publicados.
O novo formato, imitando o original alemão, admitia ilustrações internas e coluna de cartas -- o que antes não acontecia. Mas a série, distribuída em bancas de revista e permitindo a compra de números atrasados por reembolso postal, foi interrompida em 1991 no número 536.
Agora, após anos tentando interessar a uma editora brasileira, o Perry Rhodan Fã Clube do Brasil, criado em 1992 e presidido por Alexandre Pereira dos Santos, conseguiu um milagre: o relançamento de Perry Rhodan em nosso país, agora vendido apenas sob assinatura. O feito prova o que os fãs de FC podem conseguir, quando determinados. A Tecnoprint chegou a vislumbrar algum interesse em relançar a série -- a partir da sugestão do escritor Octávio Aragão. Chegaram a contactar o autor deste artigo, para atuar como um consultor -- a própria Tecnoprint aparentemente se esquecera que um dia a tinha publicado, e com grande sucesso. Os fãs chegaram primeiro, de qualquer maneira. Rodrigo de Lélis, editor-chefe da nova edição realizada pela editora mineira SSPG, se tornou o primeiro fã da série a editá-la no Brasil, uma honra invejada por muitos.

A leitura atenta dos primeiros ciclos de Perry Rhodan trai a influência de autores da golden age da FC norte-americana, nascida e criada nas revistas especializadas surgidas a partir de 1926, com a Amazing Stories de Hugo Gernsback. Os autores mais influentes sobre a série são provavelmente E. E. "Doc" Smith, o inventor da space opera, A. E. van Vogt, com suas histórias de mutantes e entidades mentais coletivas, e Isaac Asimov com suas insuperáveis tramas de escopo galáctico. Com o avanço da série ao longo das décadas, outras perspectivas foram agregadas à saga de Rhodan e seus amigos, tornando a série uma das mais complexas obras literárias do século XX, dentro daquilo que se convencionou chamar de "shared world" ou "mundo partilhado", em que vários autores escrevem dentro de um mesmo contexto. O escopo da série é tão vasto que admitiu "séries dentro da série", com seqüências de histórias interligadas, como a dos "Especialistas da Divisão III" ou a dos "Colonos de Fera Cinzenta".

O primeiro grupo conhecido de fãs de Perry Rhodan surgiu em 1988, como parte integrante do Clube de Leitores de Ficção Científica (fundado em 1985). Faziam parte dele os fãs Sérgio Roberto L. Costa, Maria Ângela C. Bussolotti, Caio Cardoso Sampaio, e eu mesmo. No mesmo ano foi editado o primeiro fanzine brasileiro dedicado à série, O Rhodaniano, em São Paulo. O Rhodaniano encerrou o seu "Primeiro Ciclo" com a edição de junho de 1988, e retornou para um "Segundo Ciclo" em 1996, com circulação irregular.
Em 1991, Alexandre Pereira dos Santos e seu irmão Daniel, criaram o Informativo Perry Rhodan, fanzine que precedeu a fundação do Perry Rhodan Fã Clube do Brasil. Em 17 de setembro de 1994 a Sociedade Brasileira de Arte Fantástica realizou em São Paulo a I RhodanCon, a primeira convenção nacional voltada para a série alemã. Os irmãos Santos foram os Fãs Convidados de Honra, e foi exibido o primeiro filme de Perry Rhodan, Mission Stardust (também conhecido como Orbito Mortal), de 1968. Dirigido pelo italiano Primo Zeglio, esta produção germano-italiana é um filme-B estrelado por Lang Jeffries como Rhodan. A exibição foi a primeira destinada diretamente aos fãs brasileiros, graças ao concurso do rhodaniano Caio Cardoso Sampaio.
O ressurgimento da série em 2001 deve revitalizar as atividades dos seus fiéis fãs no Brasil.

[Originalmente publicado na revista "Perry Rhodan", em dezembro de 2001.]

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uma arte de Morrow nunca vista no Brasil

Edição americana de número 100
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arte de Gray Morrow

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N.º 1 da edição francesa

Apresentado no episódio 50 da série, Atlan é um alienígena que vive incógnito na Terra desde os tempos da Atlântida (assim batizada em sua homenagem). Ele se torna um dos principais aliados de Rhodan, e acabou ganhando uma série própria.

Edição americana de Atlan...
66128-9.jpg
...um personagem apresentado no episódio 50, que ganhou série própria

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